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A banalização da imagem da mulher como fruto de tentações para o homem infelizmente não pertence ao passado. Tanto no mundo real quanto no virtual, todos os dias nos deparamos com algum tipo de comentário que corrobora com essa afirmação. Contudo, muitas vezes, eles são tidos como pequenas brincadeiras inofensivas, ou até mesmo como elogio, afinal de contas, toda mulher quer se sentir gostosa, não é?

Bem, a cultura do estupro se apodera dessa ideologia para justificar qualquer tipo de violência, seja ela verbal ou física, servindo inclusive como comprovação de desqualificação profissional, pessoal e ética. As diversas citações acerca da condição feminina no momento do assédio, as brincadeiras de cunho machista e os comentários sobre quem “foi comida” que são feitos com amigos entre risos só reafirmam essa cultura.
Pensar que existe exagero em combater qualquer pequeno comentário desse tipo ou se posicionar favoravelmente ao entendimento de que a mulher ser incluída nas minorias sociais é “coisa” de feministas, só demonstra desconhecimento de mundo ou como tão contaminada nossas mentes estão sobre a relação deturpada de poder entre homens e mulheres.

O estupro, apesar de ser visto como um dos piores atos de violência é também um dos crimes mais difíceis de serem comprovados. As vítimas são muitas vezes vistas com desconfiança e, diferente de outros atos de violência, há necessidade de comprovação, com perguntas do tipo: ”você tem certeza que não quis?”, “você tinha bebido?”, “que horas você ainda estava na rua?”. Além disso, a subnotificação do estupro contra mulheres não nos permite ter uma ideia concreta da quantidade real desse crime. Se pensarmos que até pouco tempo atrás casos de violência sexual entre cônjuges eram tidos como brigas de casal e que o casamento da vítima com o criminoso resolvia o caso de estupro, como podemos aceitar o fim do Ministério da Mulher?

Entender como um ato isolado o estupro de uma mulher por trinta homens e a divulgação desse crime por meios de comunicação é no mínimo ingenuidade, assim como lutar pela punição desses criminosos e esquecer-se de se posicionar contra a ideologia da cultura do estupro, é masturbação social.
A violência contra a mulher deve ser combatida todos os dias. A desconstrução de imagem machista da mulher, assim como a luta por maior ocupação em espaços decisórios, tanto na macro quanto na micropolítica, faz parte sim, dessa luta.

Portanto, não toleraremos mais puxões de braço na balada, beijos forçados no carnaval, pedidos de desculpa ao NAMORADO após o assédio à MULHER, cantadas baratas na rua, silenciamento diante de cantadas baratas praticadas por um amigo, risadas com vídeos de agressões às mulheres, piadas com feministas, vazamento de vídeos particulares, o não respeito ao não da mulher, o aumento do tom de voz para silenciar o de uma mulher, uso do status de superior para assédio das subordinadas no trabalho, classificação de moças em “rodadas” e “pra casar”, comentários sobre o tamanho da roupa, achar normal curtir “as novinhas”, achar que estupro é coisa de gente doente e mais tudo aquilo que reafirma essa cultura. Lugar de mulher é onde ela quiser e a única coisa necessária para o estupro ocorrer é o estuprador.

Não nos calaremos! Faremos um escândalo!



O Diretório Acadêmico Francisco Brasileiro tem o prazer de divulgar junto a toda comunidade acadêmica da UFCG seu mais novo projeto: o Provocativa – DAFB!

Trata-se de um canal de comunicação entre o DAFB e os alunos, visando promover dentro da universidade momentos de compartilhamento de ideias, rodas de discussão, mesas redondas e debates acerca de temas que, embora pouco debatidos no currículo acadêmico do curso de medicina, são fundamentais para a compreensão do funcionamento saudável dos indivíduos e das estruturas coletivas que se arranjam em relações sociais determinantes para os processos de sanidade e de adoecimento das populações.

Dá um like aí na ideia, que em breve estaremos marcando nossas atividades e provocando novas reflexões!



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